Ginga: A Celebração do Futebol na Arte Afro-Atlântica

13/06/2026 a 02/08/2026

Datas : de 13 de Junho a 02 de Agosto de 2026

Visitação: de terça a domingo, das 10h às 17h (permanência até às 18h)


Sobre a exposição

Por meio do futebol, a exposição aproxima arte urbana, ancestralidade e experiências compartilhadas entre Brasil e Benim


São Paulo, junho de 2026 – Tendo o futebol como ponto de partida para refletir sobre cultura, memória e pertencimento, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, com gestão da Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura (AMAB), apresenta a exposição “Ginga – A celebração do Futebol na Arte Afro-Atlântica”.

A mostra reúne obras do artista beninense Aston e intervenções inéditas das artistas brasileiras NeneSurreal e Mariana Calle, estabelecendo diálogos entre arte contemporânea, cultura urbana e experiências compartilhadas em diferentes territórios afro-atlânticos.

Realizada pelo Núcleo de Curadoria do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, a mostra toma como ponto de partida o conceito de ginga, associado ao movimento, à habilidade e à criação. Presente em diferentes manifestações culturais afro-brasileiras, a ginga é apresentada como uma forma de inteligência corporal baseada no improviso, na adaptação e na construção de novas possibilidades diante dos desafios do cotidiano

A exposição aborda o futebol como uma linguagem compartilhada capaz de articular práticas sociais, imaginários coletivos e processos históricos que atravessam fronteiras geográficas. Nesse contexto, o esporte é compreendido como espaço de encontro, pertencimento e construção de vínculos entre comunidades negras em diferentes partes do mundo.

“Ginga parte do futebol como uma experiência que atravessa territórios, gerações e culturas. A exposição reúne diferentes linguagens artísticas para refletir sobre os vínculos históricos e contemporâneos que conectam comunidades negras em distintos contextos da diáspora africana. Ao aproximar arte, memória, ancestralidade e cultura urbana, a mostra convida o público a olhar para o futebol como um espaço de encontro, criação e construção de pertencimentos”, afirma Vera Nunes, superintendente artística do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo.

A mostra também apresenta intervenções inéditas das artistas NeneSurreal e Mariana Calle, duas importantes representantes da arte urbana contemporânea brasileira. Mulheres negras, com trajetórias construídas no espaço público e forte conexão com os territórios periféricos, as artistas incorporam à exposição perspectivas que relacionam futebol, memória, identidade, território e pertencimento.

Desenvolvidas especialmente para Ginga, os murais ampliam o olhar sobre o esporte ao destacar experiências coletivas, afetos comunitários e formas de convivência construídas em diferentes contextos urbanos. Em vez de focalizar apenas o jogo, as obras abordam aquilo que acontece ao seu redor: os encontros entre vizinhos, a ocupação das ruas, as celebrações populares e os vínculos que se formam em torno da cultura do futebol.

Completando este encontro de forças, a exposição acolhe as icônicas bonecas Abayomis da artista e sacerdotisa Mãe Detinha de Xangô. Essas peças, carregadas de afeto, proteção e da força da mulher negra, ganham um significado ainda mais profundo ao revelarmos que foram presentes dados a Emanoel Araujo e hoje integram o acervo do museu. As Abayomis, feitas de pano e desprovidas de costura, são símbolos de resistência e sabedoria ancestral, materializando uma “pedagogia do sensível”, na qual o fazer artístico é indissociável do cuidar, do lembrar e do regenerar mundos. Elas representam a confluência do sagrado e do estético, enriquecendo a “cosmologia da presença” que a exposição busca evocar.

Um Xirê para Emanoel configura-se, assim, como uma encruzilhada estética e política. É um espaço onde diversas materialidades — da serigrafia e da pintura de Pitta aos relevos de Araujo e às bonecas de pano de Mãe Detinha — se encontram para forjar novas compreensões sobre a arte afro-brasileira. A exposição é um convite à reflexão sobre a potência da arte como veículo de transformação, conhecimento e resistência, reafirmando o legado de Emanoel Araujo e abrindo caminhos para o futuro da arte e da cultura no Brasil profundo.

Serviço

“Ginga – A celebração do Futebol na Arte Afro-Atlântica”

Em cartaz até o dia 02/08/2026

Museu Afro Brasil Emanoel Araujo Parque Ibirapuera, Portão 10 – Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – São Paulo (SP)

Horário de funcionamento: Terça-feira a domingo, das 10h às 17h (permanência até 18h)

Ingressos: R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia-entrada) Gratuito às quartas-feiras Informações: www.museuafrobrasil.org.br

Sobre o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo

O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo administrada pela Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura. Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do seu fundador, Emanoel Araujo (1940-2022), o museu é um espaço de história, memória e arte. Localizado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, dentro do mais famoso parque de São Paulo, o Parque Ibirapuera, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo conserva, em cerca de 12 mil m², um acervo museológico com mais de 8 mil obras, apresentando diversos aspectos dos universos culturais africanos e afro-brasileiro e abordando temas como religiosidade, arte e história, a partir das contribuições da população negra para a construção da sociedade brasileira e da cultura nacional. O museu exibe parte deste acervo na exposição de longa duração e realiza exposições temporárias. 

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