Ana das Carrancas, nome artístico de Ana Leopoldina Santos (1923-2008), foi uma importante ceramista brasileira, reconhecida por suas peças de barro, especialmente as carrancas, esculturas de figuras antropomórficas e zoomórficas com expressões marcantes, usadas tradicionalmente como proteção nas embarcações do Rio São Francisco. Nascida em Ouricuri, no sertão de Pernambuco, Ana viveu a maior parte de sua vida em Petrolina, onde desenvolveu sua arte e deixou um legado cultural significativo.
Ana começou a trabalhar com cerâmica ainda jovem, como forma de complementar a renda da família. Suas habilidades manuais e a inspiração na tradição popular levaram-na a criar carrancas com uma estética única. Suas peças, de feições severas e por vezes deformadas, transmitiam a força espiritual que, segundo crenças populares, protegia contra maus espíritos.
Mesmo perdendo a visão com o tempo, Ana continuou a produzir suas obras, o que lhe rendeu o apelido de "Ana das Carrancas". Seu trabalho passou a ser conhecido e valorizado dentro e fora do Brasil, e ela recebeu diversas homenagens ao longo de sua vida, sendo considerada uma das maiores representantes da arte popular brasileira. Além das carrancas, Ana também produziu jarros, vasos e esculturas de figuras humanas e animais.
Sua obra está intimamente ligada à cultura sertaneja e ao imaginário do Rio São Francisco, conhecido como "Velho Chico". Ana das Carrancas também é lembrada pelo seu engajamento social, mantendo suas raízes e ensinando suas técnicas para gerações futuras, preservando a tradição da cerâmica na região. Hoje, sua casa-ateliê em Petrolina abriga um museu em sua homenagem.
Fonte: elaborada pelo MAB a partir de fontes bibliográficas.