Eustáquio Neves expõe trabalhos inéditos no Museu Afro Brasil

Artista mineiro volta à São Paulo para a sua primeira exposição individual após quatro anos



Como parte das comemorações do aniversário dos seus 15 anos, o Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, gerida pela Associação Museu Afro Brasil – organização social de cultura, abre no sábado, dia 7 de maio, às 19h, a exposição “Aberto pela aduana – Livro de Artista de Eustáquio Neves”.

Trata-se da primeira exposição individual do premiado fotógrafo e artista multimídia mineiro em São Paulo desde 2015, quando exibiu “Cartas ao Mar”, também no Museu Afro Brasil.

Aberto pela Aduana, além de ser o título da exposição, é o nome da principal obra da mostra, o “Livro de Artista de Eustáquio Neves”, produzido a partir da manipulação de materiais de arquivo do fotógrafo, desenhos, colagens entre outras técnicas. Apesar de ter uma estrutura geral semelhante a um livro, a obra é na verdade um objeto de arte que fala por si próprio. Segundo Eustáquio, o nome “Aberto pela Aduana” foi escolhido para estimular a discussão entorno das múltiplas violações do corpo negro, desde o tráfego negreiro aos dias atuais.

Aduana, vale lembrar, é o nome dado a repartição governamental de controle do movimento de entradas (importações) e saídas (exportações) de mercadorias para o exterior ou dele provenientes. E é justamente neste ponto que as relações envolvendo a objetificação de milhares de corpos negros durante o tráfico atlântico e, na contemporaneidade, com os estratosféricos números de mortes por causas violentas de jovens negros em todo o território nacional, são traçadas.

Entre as obras apresentadas ao público pela primeira vez, além do próprio “Livro de Artista”, estão trabalhos da emblemática série "Máscara de Punição", formada por imagens construídas a partir da apropriação de um retrato da mãe do artista mesclado a uma foto de uma máscara de ferro. Compõe a mostra obras da emblemática série “Encomendador de Almas”, de 2006

Nas palavras de Emanoel Araujo, curador da exposição, “a fotografia encontra em Eustáquio Neves um homem devoto dos dramas que envolveram e envolvem um passado atormentado e atormentador da nossa história. História de um povo que foi conduzido ao degredo humano e de tamanha força que não se apaga, não sai da nossa alma. (...) Por certo o seu desempenho de grande artista manipulador dessas imagens comove, penetra, sangra e une passado e presente”.


Eustáquio Neves

Fotógrafo e artista multimídia. Comprou sua primeira câmera fotográfica no quarto ano do curso técnico de Química Industrial. Aprendeu a fotografar de modo autodidata, ouvindo outros fotógrafos e acompanhando cursos de fotografia publicados em revistas de fascículos. Trabalhou durante alguns anos em sua área de formação, para posteriormente abandoná-la e começar a atuar como freelancer nas áreas de publicidade e documentação. Em 1987 consegue montar um pequeno estúdio fotográfico em Belo Horizonte (MG). Segundo Eustáquio Neves, seu objetivo era fazer fotografia de autor, porém, naquele momento ainda não havia mercado para tal prática.  O gosto pela manipulação experimental das imagens volta-se então para o laboratório fotográfico, lugar onde o artista acaba desenvolvendo um processo criativo único que o leva ao reconhecimento como um dos mais importantes fotógrafos da cena contemporânea.

 







Serviço

Exposição: ““Aberto pela aduana – Livro de Artista de Eustáquio Neves”.
Curadoria: Emanoel Araújo
Abertura: 07 de maio, terça-feira, às 19 horas
Período expositivo: de 07 de maio a 07 de julho de 2019